
Por PROF.DR. RIULER DE JESUS
A educação sempre foi e sempre será a base de construção de uma sociedade mais justa e igualitária. A Lei de Diretrizes e Bases para a Educação Nacional afirma que “é direito de todo ser humano o acesso à educação básica”, a Declaração Universal dos Direitos Humanos versa o seguinte texto: “Toda pessoa tem direito à educação”.
Portanto, falar em educação sem reconhecer o protagonismo do professor é negligenciar que o professor figura como sendo o elo indispensável no processo de formação e transformação social.
Nos últimos anos, o professor foi perdendo espaço, prestígio, valorização e consequentemente, a falta de estímulo em trilhar por uma profissão vocacionada pela paixão, tornou-se um caminho árduo, sofrido e mais que exaustivo. Ser professor nunca foi tão frustrante e desafiador. Se no passado, ser professor era símbolo de vocação, hoje é um ato de persistência e resistência.
A educação além da crise estrutural pelos baixos salários, superlotação pedagógica, capacitação e qualificação precária, falta de reconhecimento profissional, adoecimento docente, caminha sobretudo, para a extinção da profissão docente.
O ambiente hostil e violento enfrentado pelo professor brasileiro não estimula a escolha dos cursos de licenciaturas, os jovens menosprezam a sala de aula e o mais, alarmante, a falta de segurança e de políticas públicas que possam assegurar um ambiente pedagógico saudável tem sido o responsável pelo afastamento do professor do ambiente escolar.
A violência contra o professor precisa ser pauta constante, precisa ser discutida e acima de tudo, ser bandeira social não apenas nas ações partidárias, nas de atos de toda sociedade civil. Até quando veremos professores ameaçados, espancados e mortos? Até quando vamos permitir que professores tenham sua dignidade profissional ferida?
De acordo com pesquisa: nove em cada dez professores e professoras da educação básica e superior do ensino público e privado de todo o país já foram perseguidos diretamente ou presenciaram perseguições e censura contra profissionais da educação. É o que aponta o levantamento do ONVE (Observatório Nacional da Violência Contra Educadoras/es), da UFF (Universidade Federal Fluminense), em parceria com o MEC (Ministério da Educação).
As consequências da violência contra professores são abrangentes e impactam tanto os indivíduos agredidos quanto o sistema educacional como um todo. Para os professores, as consequências podem incluir estresse crônico, ansiedade, depressão, absenteísmo, desmotivação, redução da qualidade do ensino e até mesmo o abandono da profissão.
Para o sistema educacional, a violência contra professores compromete a qualidade da educação, gera dificuldades na atração e retenção de profissionais qualificados e prejudica o clima escolar, afetando o aprendizado e o desenvolvimento dos alunos (Silva et al., 2018).
Diante desse cenário preocupante, torna-se essencial compreender e abordar os determinantes da violência contra professores, bem como suas consequências, a fim de promover ambientes escolares seguros e saudáveis.
É necessário um esforço conjunto de governos, instituições de ensino, professores, famílias e sociedade em geral para desenvolver políticas de prevenção, fortalecer a valorização da profissão docente, investir em formação continuada, criar mecanismos de apoio e proteção aos professores e promover uma cultura de respeito e diálogo nas escolas (Ferreira et al., 2019).