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ARRANJO DE NOMINATAS DITA “O RITMO” DAS ELEIÇÕES 2026

 

Mantida a liminar, é a candidatura com mais chances de vencer pleito
Ricardo Marque é a “incógnita” das eleições para o governo este ano
Flávio Mitidieri pode ser “derrubado” pelo governo e a água da Iguá

 

Por TONI ALCÂNTARA

 

Análise interpretativa sobre o rearranjo das forças políticas após a janela partidária de março

 

A eleição para o Governo de Sergipe e para o Senado Federal em 2026 não será decidida apenas nos palanques majoritários ou nas peças publicitárias de 30 segundos. O verdadeiro “motor” da sucessão estadual está sendo montado agora, no silêncio dos gabinetes, através da construção das nominatas — as chapas de candidatos a deputado federal e estadual. Em um estado onde o voto de grupo ainda divide espaço com a opinião, quem não tem um “exército” proporcional competitivo arrisca o isolamento político antes mesmo do início oficial da campanha.

“A força de uma candidatura majoritária é diretamente proporcional à densidade eleitoral de sua base; sem deputados competitivos, o ‘general’ fica sem soldados no interior.” Essa premissa vale para todos os pré-candidatos ao governo de Sergipe este ano, especialmente para o vice-prefeito e nome do PL para tentar a difícil missão de chegar ao Olímpio Campos.

A entrada de Ricardo Marques (PL) no tabuleiro das eleições, sob a articulação estratégica do deputado federal Rodrigo Valadares, alterou a temperatura do pleito. Até então, o cenário parecia polarizado entre a continuidade administrativa de Fábio Mitidieri (PSD) e o recall histórico de Valmir de Francisquinho (Republicanos).

Marques introduz uma variável urbana e ideológica que Sergipe raramente viu com tanta nitidez. Como vice-prefeito de Aracaju e ex-jornalista, ele traz o discurso da fiscalização e do conservadorismo moderno, atraindo o “voto de opinião” que muitas vezes se sentia órfão de uma direita orgânica. Esse movimento não apenas fragmenta a oposição, como força o governo a elevar o tom ético e gerencial de sua defesa.

O confronto entre as três principais forças revela estratégias distintas de sobrevivência e expansão: O Bloco Governista (PSD/PP/União) pode ser considerado a “Nominata da Máquina”. Com o apoio da maioria dos prefeitos, Fábio Mitidieri lidera o grupo com maior capilaridade. O desafio, contudo, é a canibalização interna: com tantos nomes fortes (os “caciques”), a disputa por votos dentro da mesma chapa pode gerar tensões que enfraquecem a unidade do bloco.

Já o PL (Ricardo/Rodrigo), é a “Nominata da Mensagem”. Diferente da estrutura tradicional, o projeto liderado por Rodrigo Valadares foca em comunicadores e lideranças digitais. A aposta é que a “onda 22” carregue nomes menos conhecidos, garantindo uma bancada na ALESE que dê sustentação a Ricardo Marques ou forme uma oposição robusta.

O Republicanos (Valmir), por sua vez, é a “Nominata do Recall”. A chapa depende visceralmente do carisma de Valmir de Francisquinho. Sua força está no Agreste, mas o risco reside no isolamento geográfico. Para vencer o estado, a nominata precisa provar que tem fôlego além das fronteiras de Itabaiana e região.

A tal “janela partidária de março”, que não é nada mais nada menos do que a oportunidade de parlamentares de diversos partidos trocarem de sigla sem perder o mandato,  encerra no dia 3 de abril o ciclo das especulações e inicia o das realidades: o tamanho do partido na urna começa no tamanho da chapa na rua.

O encerramento da janela partidária define quem terá fôlego para chegar a outubro. Sergipe não aceita mais o “voto por osmose”. O agrupamento governista entra com a maior musculatura, mas enfrenta duas oposições com perfis inéditos: uma de massa e outra de mensagem.

A sorte está lançada. A partir de agora, o sucesso de Mitidieri, Valmir ou Ricardo Marques dependerá menos de seus próprios discursos e muito mais da capacidade de seus candidatos a deputados de converterem simpatia em votos reais. O isolamento político será o maior inimigo de quem subestimar a força silenciosa das bases proporcionais.