PF prende MC Ryan SP, Poze do Rodo e dono da ‘Choquei’ em investigação sobre R$ 1,6 bilhão do crime
Defesa de MC Ryan afirma que ‘a verdade será devidamente demonstrada’; ‘Estadão’ pediu manifestação de Poze e busca contato com Raphael Sousa, dono da ‘Choquei’. Crédito: Estadão
A Polícia Civil e o Ministério Público de São Paulo deflagraram na manhã desta sexta-feira, 8, a Operação Caronte para desarticular um grupo criminoso que teria lavado dinheiro do Primeiro Comando da Capital (PCC) por meio de empresas de transporte e rodeios. O principal alvo é Eduardo Magrini, conhecido como “Diabo Loiro”, apontado como líder do esquema e ex-padrasto do funkeiro MC Ryan SP, que também foi alvo recente de uma investigação sobre branqueamento de ativos milionários da facção.
A reportagem tenta contato com a defesa de Eduardo Magrini. O espaço está aberto.
“Diabo Loiro” foi preso em outubro do ano passado em uma investigação do Gaeco, braço do Ministério Público de combate aos tentáculos do crime organizado, por suspeita de envolvimento em um plano do PCC para assassinar o promotor de Justiça Amauri Silveira Filho.

Eduardo Magrini, o ‘Diabo Loiro’, acumula mais de 100 mil seguidores no Instagram, onde se identifica como ‘produtor rural e influencer digital’ Foto: @dutrotecampinas via Instagram
A Operação Caronte cumpre 11 mandados de busca e apreensão em Campinas, Atibaia, Monte Mor, Sumaré, Limeira, Mogi das Cruzes, Osasco e Taquaritinga. A Justiça também determinou o bloqueio de R$ 10 milhões em contas dos investigados, além da indisponibilidade de veículos e outros bens ligados aos suspeitos.
Até o momento, a operação apreendeu caminhões, automóveis, dinheiro em espécie, além de bois e cavalos. Entre os animais recolhidos está o boi “Império”, considerado o terceiro mais bem ranqueado do Brasil.
O filho de Eduardo Magrini, Mateus Magrini, também é investigado e alvo de buscas. Segundo a investigação, ele teria movimentado recursos ilícitos por meio de uma empresa do ramo musical.
Mateus foi alvo da Operação Narco Fluxo, da Polícia Federal, ao lado de MC Ryan, em 15 de abril. O funkeiro, segundo a investigação, é ex-enteado de “Diabo Loiro”.

MC Ryan SP, um dos funkeiros mais famosos do País, foi preso pela Polícia Federal na Operação Narco Fluxo Foto: @IamMcRyan via Instagram
A investigação do Gaeco descortinou uma rede formada por sócios “laranjas”, empresas de transporte e uma companhia do ramo de rodeios usada para movimentar recursos financeiros do PCC. Os investigadores também apontam vínculos de “Diabo Loiro” com as empresas e destacam que o empresário ostentava patrimônio milionário nas redes sociais.
Segundo a Promotoria, o esquema de lavagem com rodeios e empresas de transporte opera desde 2016. As suspeitas se intensificaram após análises fiscais e bancárias realizadas pelo Laboratório de Lavagem de Dinheiro do Ministério Público e por relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), que indicaram movimentações incompatíveis com a renda declarada pelos investigados.

Apontado como membro do alto escalão do PCC, Diabo Loiro é suspeito de participação direta em ataques contra as forças de segurança do Estado, incluindo atentados contra a sede do Deic em 2006 Foto: Reprodução/Instagram/@dutrotecampinas
“Diabo Loiro” é apontado como integrante relevante do PCC no interior paulista. Segundo o Ministério Público, Magrini acumula cerca de 30 anos de envolvimento em crimes e possui condenações por tráfico de drogas e uso de documentos falsos desde 1998.
Nas redes sociais, antes de ser preso, Magrini se apresentava como “influencer digital” e compartilhava com cerca de 105 mil seguidores fotos em viagens, rodeios e ao lado de carros de luxo.
O nome da operação faz referência a Caronte, personagem da mitologia grega responsável por transportar as almas dos mortos pelos rios até o submundo de Hades.
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