Enquanto avançam as investigações no Supremo Tribunal Federal, sob a Relatoria do Ministro André Mendonça, a partir do conteúdo do telefone celular apreendido do banqueiro Daniel Vorcaro, a nação brasileira resta surpreendida, a cada dia, resignada com o estado de putrefação da Administração Pública Nacional, que agora compromete a atuação do Chefe do Ministério Público Federal, o Procurador-Geral da República Paulo Gonet, feliz e radiante na companhia de Daniel Vorcaro, que revela satisfação com o encontro ocorrido em Londres, em abril de 2024, onde seus hábitos alcóolicos e fumegantes encontram-se expostos, a partir de sua própria expressão:

“Oba !!! Tomara que tenha charuto e Macalan.”
Explicado o tom de agressividade do Ministro Gilmar Mendes, na fatídica sessão de terça-feira passada, ao manifestar a sua indignação contra o Relator André Mendonça, que retirou o sigilo das investigações, afinal, a cidadania brasileira apenas é convidada a pagar a conta, porquanto somente em 2025, o Ministério Público da União, que compreende, além do Ministério Público Federal, como principal unidade, o Ministério Público do Trabalho, o Ministério Público Militar e o Ministério Público do Distrito Federal e Territórios, cerca de 9,9 bilhões de reais, em sua proposta inicial, constante da Lei Orçamentária Anual (LOA) do ano de 2025.
Logo o Ministério Público, responsável pela “defesa da ordem jurídica, do regime democrático e dos interesses sociais e individuais indisponíveis”, nos termos do caput do artigo 127 da Constituição Federal, resulta agora contaminado pela lama espessa que afoga a República, e a atuação omissa do Procurador-Geral da República, diante de tanto envolvimento de autoridades cuja investigação e eventual propositura de medidas judiciais lhe competem, resulta agora amiúde justificada, a nos rememorar a clássica manifestação da banda Legião Urbana, em hit do rock nacional dos anos 80:
“Na favela, no Senado, sujeira pra todo lado, ninguém respeita a Constituição, mas todos acreditam no futuro da Nação. Que país é e este?”
É cirúrgica a referência ao Senado, porquanto o seu Presidente, Davi Alcolumbre, teve a pachorra de, entrevistado após mais uma vez engavetar os mais de cem requerimentos de impeachment dirigidos contra o Ministro Alexandre de Moraes, mais uma vez conduzir-se contra a simples abertura do procedimento, manifestou o espanto diante da quantidade de pedidos, tal qual o Plenário do Supremo Tribunal Federal, que passou um dia inteiro de sessão a deliberar, apenas, a respeito da fusão ou não, dos procedimentos de investigação contra o aludido Ministro, bem como contra o também Ministro André Mendonça, numa demonstração clara do desrespeito dessas instituições em relação a quem os mantém, afinal, restamos nesse papel de custear charutos e Macallan, enquanto as mais elevadas autoridades da República escancaram a sua conduta.
O mais triste é constatar exatamente isso: essas autoridades representam o povo brasileiro, cuja conduta foi cabalmente demonstrada pelo canhotinha de ouro, o craque meia-direita da seleção brasileira de 1970, na mensagem publicitária dos cigarros Vila Rica, em 1976:
“Gosto de levar vantagem em tudo, certo? Leve vantagem você também, leve Vila Rica!”
Essa inclinação à corrupção, ao compadrio, ao favorecimento pessoal, apenas tem multiplicado sua ocorrência na nação brasileira, que agora assiste atônita, as mais altas autoridades da República a mergulhar no precipício moral, enquanto na vida real resultam impunes, a demonstrar para o povo brasileiro: aqui, o crime compensa. Essas figuras desconhecem a angústia de qualquer adolescente ou jovem da favela, recrutado como aviãozinho do tráfico, porquanto somente assim possui acesso e ingresso na Babilônia chamada Brasil, que a cada dia mais se afasta da verdade, do que está orientado e desobedecido há milênios:
“O ímpio aceita às escondidas o suborno, para desviar o curso da justiça.” Provérbios 17. 23