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Agente de Yuri Alberto detona proposta do Corinthians na Justiça: ‘Omissa, inconsistente e imprestável’


Corinthians e o empresário André Cury, que representa, entre outros, o atacante Yuri Alberto, voltaram a se desentender na Justiça. Desta vez, o agente novamente atacou o clube no âmbito do RCE (Regime de Centralização de Execuções), mesmo após a homologação do plano de pagamento do clube, que deve começar a quitar as dívidas com os credores em março – entre eles, o próprio Cury.

Após o tribunal acatar a proposta corintiana, a defesa do empresário, feito pela advogada Adriana Cury, atacou a Justiça dizendo que a decisão é “omissa, inconsistente, imprestável e desconexa da realidade”, pois ignorou manifestação dos credores sobre o plano de pagamento, os documentos e a própria lista de quem vai receber os valores na oferta alvinegra.

André Cury apontou que a lista de credores é irregular e não apresentou nenhum controle judicial efetivo. O empresário diz que a Justiça acatou a lista de credores sem qualquer análise crítica e sem oportunizar o contraditório, além de que o documento incluiu processos que não se encontram em fase de execução, com demandas apenas em fase de conhecimento.

Isso, segundo Cury, extrapolou a autorização judicial e desvirtuou o RCE, configurando um erro grave do Judiciário. A defesa do empresário diz que analisou todos os documentos e encontrou créditos duplicados, sub judice e anulados por decisão de força judicial, como por exemplo um processo do empresário Giuliano Bertolucci, no qual o Corinthians anulou uma cobrança de mais de R$ 24 milhões.

Além disso, o Timão colocou a si próprio, segundo apontou a defesa de Cury, como beneficiário de crédito em três processos, sendo dois deles movidos pelo clube contra a Taunsa. O Corinthians briga com a empresa agrícola pelo pagamento de mais de R$ 26 milhões, pelo não pagamento de acordo pelos salários do ex-volante Paulinho. Essas ações se encontram em sigilo.

Cury ainda destacou que não foram destacados na planilha honorários advocatícios por todas as execuções listadas pelo Corinthians e nem os status processuais de recursos pendentes ou valores já bloqueados. O empresário voltou a falar de um “conluio” entre o clube e a Caixa Econômica Federal, para esvaziar uma execução já satisfeita.

“A lista de credores apresentada pelo Corinthians é imprestável, revelando vícios relevantes que impactam diretamente a distribuição dos recursos. Nessas condições, autorizar pagamentos com base em tais dados, sem prévia correção e controle efetivo, viola os limites do Regime Centralizado e abre margem a desvio de recursos”, disse a defesa de Cury.

“A decisão embargada (que autorizou o plano de pagamento), ao desconsiderar tais inconsistências, mostra-se desconexa da realidade processual demonstrada nos autos, apoiando-se em premissa fática equivocada. Os documentos apresentados são inconsistentes e não atendem às exigências legais”, continuou, dizendo que a homologação assim pode causar “prejuízo irreversível aos credores legítimos”.

O agente quer que seja suspenso o início dos pagamentos até que ocorra uma checagem completa da lista de credores, e seu saneamento, além de apreciar impugnações pendentes e uma definição clara dos créditos exigíveis e seus respectivos valores. Também voltou a pedir um percentual obrigatório de 20% das receitas do clube, ou um mínimo de 16%.

Após a manifestação de Cury, a Justiça mandou o time alvinegro se manifestar.

O Corinthians, em resposta, se mostrou inconformado com o que classificou como “resistência e inconformismo da Link Assessoria [empresa de Cury]”. O clube apontou que o tribunal já conhece os movimentos do agente na Justiça, tentando, a cada nova decisão, “manejar algum mecanismo processual para frustrar o RCE”.

“A verdade é que em nenhum cenário a credora concordaria com o presente RCE, ainda mais após a acertada determinação da transferência dos valores bloqueados nas execuções individuais para este RCE”, disse o Corinthians, que rebateu supostas irregularidades na lista de credores acusada pelo empresário.

“O Corinthians não compreendeu plenamente onde a credora (Link Assessoria) pretendeu chegar neste tópico. A listagem de processos que o clube apresentou decorre de exigência do art. 16 da Lei do RCE. Por sua vez, a lista de credores com base na qual o clube realizará os pagamentos é aquela que está sendo constantemente atualizada pelo administrador judicial. A sua nomeação, aliás, foi justamente para fiscalizar a listagem de credores e o fluxo de pagamentos”, apontou o time alvinegro.

O Corinthians também ironizou o fato de Cury alegar temeridade no início dos pagamentos. “Incompreensível a credora ser contra o início dos pagamentos que beneficiariam ela própria. De todo modo, não há se falar em qualquer temeridade no início dos pagamentos. É de praxe que os pagamentos ocorram independentemente da finalização de eventuais impugnações”, apontou.

O clube também voltou a dizer que o percentual de receitas destinado – de 4% no primeiro ano, 5% no segundo e 6% no terceiro – considerou todas as dívidas do Corinthians, não apenas as que estão incluídas no RCE. Em outra petição, o clube falou que já compromete cerca de 20% de suas receitas com o pagamento de vários débitos, como Caixa Econômica e aqueles listados na CNRD (Câmara Nacional de Resolução de Disputas) da CBF (Confederação Brasileira de Futebol).

Para finalizar, o Corinthians ironizou o empresário. “A credora tenta descredibilizar os documentos regularmente apresentados, dizendo que tais são inconsistentes, apenas para dar alguma base ao seu pedido de indeferimento do RCE ao argumento de que o clube não teria viabilidade econômica”.

A briga do agente com o clube é antiga, começou em 2024. André Cury tem mais de R$ 40 milhões listados no RCE. Parte desses valores, contudo, já foi bloqueado em execuções individuais. O Corinthians aponta, na lista apresentada no plano de pagamento – e criticada por Cury – que possui mais de R$ 700 milhões em “perdas prováveis” em diversos processos.

Entre as dívidas que podem gerar perdas prováveis, estão débitos com empresários, ex-jogadores e outros valores diversos. Só com agentes, o montante fica em cerca de R$ 300 milhões.

A maior parte desse débito é com o empresário Giuliano Bertolucci, por comissões de atletas como o ex-volante Ramiro. Já Carlos Leite possui mais R$ 70 milhões por receber, relativos a negócios envolvendo nomes como Cássio, Fagner, Camacho, Renato Augusto e outros.

Débitos com órgãos públicos também representam um valor expressivo: mais de R$ 300 milhões, distribuídos em alguns processos. Já ex-jogadores do time, como Gil, Robson Bambu, Thiaguinho, Giuliano e Ederson, aparecem com aproximadamente R$ 40 milhões em discussão nos tribunais.

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