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Bondades de Lula são cirúrgicas para alcançar o eleitorado antipetista


Calendário eleitoral 2026: veja as principais datas e etapas da eleição

Prazo para regularizar o título, convenções partidárias, início da campanha e dia da votação; entenda o cronograma completo. Crédito: Estadão

Quando se analisam os mapas de votação do Brasil e as pesquisas eleitorais em suas minúcias, contata-se que o presidente Lula vence apenas entre quem ganha cerca de dois salários mínimos e nos estados do Nordeste. A enorme diferença nesses extratos e o fato de o País ainda ser bastante pobre compensam as desvantagens do petista nas regiões Sul, Sudeste, Centro-Oeste, parte do Norte; e entre a classe média e mais ricos. Apesar disso, o cenário das eleições segue instável. Mesmo após o Dark Horse Gate, o escândalo que revelou as relações algo promíscuas do candidato Flávio Bolsonaro com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, a imprevisibilidade continua.

Os flancos do governo estão, entre outros: na segurança, na nova classe média emergente com renda acima de quem depende de programas sociais como o Bolsa Família, entre representantes da nova economia “uberizada”, como entregadores e motoristas de aplicativo; e entre os que consideram os governos petistas lenientes com a segurança pública. É um eleitorado que deixou de votar na esquerda e hoje ajuda a engrossar os quadros do antipetismo.

Medidas lançadas pelo Planalto são as armas de um governo que segue impopular, porém, levemente favorito, frente às confusões e alta rejeição do campo bolsonarista Foto: REUTERS/Paulo Whitaker

Traçado o mapa de fragilidades eleitorais imediatas, é possível ver que, para a segurança pública, o governo lançou um pacote bilionário de financiamento das polícias por meio de recursos do BNDES. Para o empregado da classe média baixa, há o fim da escala 6 por 1, prestes a ser aprovado no Congresso, e o fim da taxa das blusinhas, o que pode tornar mais baratas as pequenas compras que chegam via internet. Para os motoristas autônomos, há uma linha de crédito de R$ 30 bilhões para a compra de novos veículos. Sem falar nas subvenções para evitar que o aumento dos preços dos combustíveis ocorrido devido à guerra no Irã chegue na ponta. Por fim, o programa Desenrola, para facilitar a vida das famílias endividadas.

Não é possível negar que é um pacote bem pensado com o objetivo de manter o poder. A retórica em torno das ações será algo no sentido de um governo que privilegia os pobres contra os ricos, que combate os privilegiados, algo que o Partido dos Trabalhadores sabe fazer muito bem – o discurso da luta de classes. No pacote de bondades, entretanto, ficam de fora os evangélicos e também os trabalhadores informais, que representam 37% da população ocupada no Brasil, para quem mudanças na legislação trabalhista não fazem grandes diferenças.

Essas são as armas de um governo que segue impopular, porém, levemente favorito, frente às confusões e alta rejeição do campo bolsonarista. Com relação aos candidatos da terceira via, o PT segue na confiança de que vive o melhor dos mundos. As denúncias contra Flávio são fortes o suficiente para lhe tirarem o favoritismo e ainda fracas para que os votos de base do bolsonarismo estudem outra opção.



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