
Por Pastor Jorge Abreu
Há dores que a cidade não vê. Estão nos ônibus lotados, nos corredores de hospitais, nas igrejas, nos quartos onde mães choram. São as dores das “Ágares” de 2026.
A Bíblia conta, em Gênesis 16, a história de uma mulher estrangeira, escrava e usada como solução para a ansiedade de outros. Ágar não teve escolha, foi entregue por sua senhora, Sarah, para gerar um filho a Abraão.
Usada, engravidou, foi umilhada, fugiu para o deserto. Ali, sozinha, com sede e sem futuro, ela viveu quatro traumas que ainda hoje marcam milhares de mulheres:
1. Rejeição por sua origem, escrava e Egípcia.
2. Abuso foi tratada como objeto, apenas para satisfazer o ego e realização de seus donos.
3. Abandono quando foi expulsa com seu filho, com pão e um cantil de água, sentenciada para morrer no deserto.
4. Invisibilidade ninguém perguntou por sua dor, ninguem veio cuidar das feridas abertas em seu coração.
Mas é no deserto que a história muda. Um anjo encontra Ágar e faz a primeira pergunta que ela talvez nunca tinha ouvido: “Ágar, serva de Sarah, de onde vens e para onde vais?” Gn 16:8.
Deus não a viu como “a egípcia” ou “a escrava”. Viu Ágar e chamou pelo nome.
E deu-lhe promessas: “Multiplicarei a tua descendência” Gn 16:10 e “Eis que concebeste, e darás à luz um filho, a quem chamarás Ismael, porque o Senhor ouviu a tua aflição” Gn 16:11. Ismael significa “Deus ouve”.
Anos depois, o ciclo se repete. Ágar é expulsa de novo, agora com o menino. A água acaba. Ela coloca o filho debaixo de um arbusto e se afasta: “Que eu não veja morrer o menino” Gn 21:16. É o retrato da depressão. Da mãe que não aguenta ver o filho perdido.
O texto diz que “Deus ouviu a voz do menino” Gn 21:17. O Céu responde ao choro que a terra ignora. Então vem a chave do milagre: “E abriu-lhe Deus os olhos, e viu um poço de água” Gn 21:19. O poço já estava lá. Faltava Ágar enxergar.
Diante disso, ela faz algo inédito nas Escrituras: dá um nome a Deus. “Tu és Deus que me vê” — El Roi Gn 16:13.
Quem é Ágar hoje?
É a mãe que recebe a pensão atrasada e ouve que “já é muito”.
É a mulher que foi usada e depois descartada com a frase “você quis”.
É a crente que se sente estrangeira na própria igreja, sem sobrenome importante.
É quem está debaixo do “arbusto” da depressão, achando que o poço secou.
A mensagem de El Roi para 2026 é direta: a água do homem acaba, mas o poço de Deus é subterrâneo. Não secou. O que falta não é provisão nova, é visão nova. “Ergue o rapaz, e toma-o pela mão” Gn 21:18. Sai da posição de arbusto. O milagre começa quando você se levanta.
Você pode ser invisível para o sistema, para o ex-marido, para a liderança. Mas nunca é invisível para Deus. Antes de abrir o poço, Ele abre os olhos. Antes de mudar a situação, Ele muda a forma como você se enxerga.
Se hoje sua água acabou, lembre-se: El Roi te vê. Tem poço perto. É hora de erguer a cabeça.