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Flávio Bolsonaro cria comissão evangélica para organizar ato do 7 de Setembro na Paulista


A campanha presidencial do senador Flávio Bolsonaro (PL) montou uma comissão de lideranças evangélicas para ajudar a organizar a manifestação programada para o dia 7 de setembro na Avenida Paulista. Segundo interlocutores, essa coordenação funcionará de forma paralela ao núcleo central das articulações políticas e terá o grupo religioso como um dos seus principais pilares operacionais.

Diferentemente de manifestações anteriores realizadas no local, que contavam com a liderança direta do pastor Silas Malafaia, esta não terá a orquestração do religioso. O PL solicitou a cooperação de uma frente de lideranças para arregimentar fiéis. A comissão conta com representantes de grandes denominações do segmento evangélico no país, incluindo a Assembleia de Deus – Missão, a Assembleia de Deus Vitória em Cristo (ADVEC), a Igreja do Evangelho Quadrangular e a Igreja Sara Nossa Terra.

A Avenida Paulista já foi reservada pelo partido para receber o evento, que é tratado internamente como uma das movimentações mais estratégicas da campanha de Flávio para a mobilização de apoio popular. O ato ganha peso relevante principalmente após a avaliação do evento de abertura de campanha em Copacabana, no Rio de Janeiro, que reuniu menos de 10 mil pessoas e foi considerado um fiasco.

Embora não haja a expectativa de reunir um público tão numeroso quanto os que acompanhavam as mobilizações lideradas pelo ex-presidente Jair Bolsonaro, a estratégia da equipe é converter a data no principal marco de apoio popular à candidatura de Flávio Bolsonaro.

O candidato Flávio Bolsonaro criou uma comissão evangélica para organizar ato do 7 de Setembro na Avenida Paulista Foto: Pedro Kirilos/Estadão

7 de Setembro é emblemático para o bolsonarismo

As mobilizações de 7 de Setembro na Avenida Paulista tornaram-se emblemáticas para o bolsonarismo. Em anos anteriores, a data concentrou grande número de apoiadores e gerou desdobramentos jurídicos e políticos expressivos.

O episódio de maior desgaste institucional ocorreu no 7 de Setembro de 2021, quando Jair Bolsonaro esteve no trio elétrico na capital paulista, fez ataques diretos aos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), chamou o ministro Alexandre de Moraes de “canalha” e declarou que não cumpriria mais decisões judiciais da Corte.

O caso deflagrou uma severa crise institucional, que posteriormente exigiu a intermediação do ex-presidente Michel Temer para a elaboração de uma “Carta à Nação” com o intuito de pacificar as relações entre os Poderes.a

Em 2022, os atos de 7 de Setembro também ocorreram em Brasília, Rio de Janeiro e São Paulo, desencadeando desdobramentos jurídicos pela apuração de eventual uso da estrutura pública durante a campanha eleitoral.

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