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Flávio investigado, dinheiro de Toffoli e diretor ‘anjo’: o que o fim do sigilo do Master revela


Vorcaro via ex-diretor do BC como ‘anjo na vida’ e pediu ajuda sobre mudança em fundo de previdência

Conversas encontradas pela polícia indicam ‘orientações sobre a forma pela qual os recursos poderiam ser geridos’; ex-deputado não foi localizado para comentar. Crédito: Larissa Burchard

BRASÍLIA – O fim do sigilo de investigações que envolvem a atuação de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, expõe novos detalhes sobre as ligações do banqueiro com autoridades e políticos na capital federal. Do senador Flávio Bolsonaro, candidato à presidente da República, investigado por ordem do ministro André Mendonça, aos indícios de que o ministro Dias Toffoli teria recursos no exterior.

O banqueiro Daniel Vorcaro, quando estava preso em São Paulo Foto: Fábio Vieira/Estadão

As revelações incluem dados já apurados e outros ainda sob investigação pela PF sob a relatoria de Mendonça.

A pedido do presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Edson Fachin, o sigilo dos processos vinculados ao caso Master foi revogado.

Mendonça, primeiro, liberou acesso a 15 processos. Nesta sexta-feira, depois de uma manifestação da Procuradoria Geral da República, Fachin pediu a Mendonça que amplie a liberação dos documentos a casos ainda sob sigilo mas conectados ao caso Master. O relator então ampliou a lista com mais 39 petições e inquéritos também tornados públicos.

A seguir, o Estadão apresenta um resumo dos principais achados até o momento sobre esses documentos:

Flávio Bolsonaro é investigado por lavagem de dinheiro e corrupção

O ministro André Mendonça autorizou que o senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro seja investigado por suspeitas de lavagem de dinheiro, evasão de divisas e corrupção no financiamento de “Dark Horse”. O filme trata da carreira política do ex-presidente Jair Bolsonaro e a produção recebeu recursos do banqueiro Daniel Vorcaro.

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Flávio Bolsonaro nega qualquer irregularidade na captação dos recursos.

No despacho, André Mendonça cita que a PF requereu a instauração de inquérito em caráter sigiloso para “apurar a possível prática dos crimes de lavagem de dinheiro, evasão de divisas, corrupção e outros delitos correlatos, que teriam sido praticados, em tese, pelo senador da República FLÁVIO NATES BOLSONARO, no contexto de financiamento para a produção de obra cinematográfica denominada Dark Horse junto ao Banco Master do banqueiro DANIEL BUENO VORCARO”. Mendonça autorizou a investigação.

PF suspeita de dinheiro de Toffoli no exterior

Na lista de documentos que estavam em sigilo há um relatório da Polícia Federal (PF) indicando a suspeita de que o ministro Dias Toffoli seja o “beneficiário final” ou “proprietário de fato” do fundo de investimento Arleen, que recebeu repasse de R$ 35 milhões de Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master. O documento da PF foi revelado pela revista piauí nesta sexta-feira, 10, e confirmado pelo Estadão.

Segundo o relatório, o repasse de R$ 35 milhões, revelado ainda em fevereiro pelo Estadão, teria ido parar nas Ilhas Virgens Britânicas, paraíso fiscal do Caribe, por meio de uma transação com a holding Egide I. O ministro já negou ter amizade com o banqueiro ou ter recebido valores dele. Procurado pelo Estadão, o gabinete de Toffoli afirmou que o relatório já foi arquivado, com decisão de trânsito em julgado e reforçou que “jamais manteve ou teve direta ou indiretamente recursos no exterior”.

Moraes editou pelo menos duas vezes contrato de mulher com Master

O contrato assinado entre o Banco Master e a advogada Viviane Barci, mulher do ministro Alexandre de Moraes, teve pelo menos duas alterações feitas pelo próprio magistrado. É o que indicam documentos apresentados pela PF na investigação sobre a atuação de Daniel Vorcaro e que atingem diretamente Moraes.

Segundo a PF, cláusulas do contrato de R$ 131 milhões foram revisadas e editadas pelo próprio ministro. O acordo previa, entre outros pontos, sigilo integral sobre o contrato e pagamentos mensais de pró-labore no valor bruto de R$ 3.646.529,77.

PF diz que Eduardo Bolsonaro orientou gastos de verba de Vorcaro no ‘Dark Horse’

A Polícia Federal afirma que o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro teria orientado a maneira com que deveriam ser aplicados os recursos destinados ao filme “Dark Horse”. Segundo a PF, o ex-banqueiro Daniel Vorcaro foi o responsável pelo “financiamento ilícito” da produção cinematográfica. Eduardo não foi localizado para comentar.

Dono do extinto Master, Vorcaro classificou o aporte no filme como “o mais importante disparado”, conforme mensagem enviada por ele ao cunhado Fabiano Zettel, apontado como seu operador. O ex-banqueiro reclamava de um atraso no pagamento e disse que aquilo não poderia se repetir.

Festas com garotas de programa para atrair autoridades

Informações encontradas nos celulares de Vorcaro indicam que o banqueiro utilizou mulheres para agradar autoridades e empresários em festas particulares. A estratégia incluiu garotas de programa, shows de cantores e DJs e bebidas alcoólicas.

Daniel Vorcaro fez festa com mulheres para se aproximar de autoridades

Trocas de Mensagens do banqueiro indicam que o ex-ministro das comunicações Fabio Faria o auxiliava a organizar eventos.

Há registros de festas numa embarcação em Angra e outras organizadas em boate em São Paulo. Imagens divulgadas nas redes sociais mostram como era uma dessas festas na capital paulista. Ao menos uma delas, com temática de Halloween, teria ocorrido na boate Madame Satã, no bairro Bela Vista, em São Paulo, em outubro de 2023.

Vorcaro tinha uma ‘fábrica de reputações digitais’

Fábrica de reputações

Documentos da Polícia Federal tornados públicos pelo Supremo Tribunal Federal (STF) na noite desta quinta-feira, 10, apontam que o dono do Banco Master, o banqueiro Daniel Vorcaro, tinha uma estrutura organizada no campo digital para fabricar reputação positiva e neutralizar críticas. A investigação também aponta que o empresário demandou que Luiz Phillipi Mourão, o “Sicário”, publicasse comentários positivos em notícias da venda do Master ao BRB.

Polícia Federal concluiu que Vorcaro fabricava reputação digital positiva para neutralizar críticas

Como mostrou o Estadão, instituições e personalidades envolvidas com a operação do Banco Master sofreram uma tentativa de assassinato de reputação nas redes. Crédito: Imagem: Larissa Burchard/Edição: Laís Nagayama

“Em relação à tentativa de aquisição do Banco Master pelo Banco de Brasília (BRB), Felipe Mourão encaminhou diversas matérias sobre o assunto, ocasião em que Daniel Bueno Vorcaro determinou a realização imediata de múltiplos comentários nas publicações, a fim de transmitir a impressão de que a operação havia sido bem-sucedida”, dizem os investigadores nos documentos tornados públicos.

Vorcaro tinha um ‘diretor anjo’ no Banco Central

O banqueiro do Master pediu ajuda ao ex-diretor de Fiscalização do Banco Central Paulo Sérgio Neves de Souza para tentar barrar uma norma que endurecia regras de investimentos por parte dos fundos de previdência privada. Segundo a PF, Vorcaro se referia a Paulo Sérgio como “um anjo na vida”.

A mudança, segundo a PF, poderia atingir os planos do Master de vender letras financeiras para regimes de previdência complementar de servidores públicos.

Produtores do ‘Dark Horse’ estimaram bilheteria maior do que sucesso nacional

A produção de Dark Horse, filme biográfico sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro, projetava receita quase três vezes superior à maior bilheteria da história do cinema brasileiro. Documentos da PF que deixaram de ficar em sigilo indicam que os produtores estimavam arrecadar US$ 45 milhões, o equivalente a R$ 230 milhões na atual cotação do dólar. A cifra é 91% superior à bilheteria do longa Minha Mãe é Uma Peça 3, de 2019, o maior sucesso de público da história do Brasil estrelado pelo humorista Paulo Gustavo. O filme arrecadou aproximadamente R$ 120 milhões.

Mendonça nega reter passaporte de mulher que estava com Sicário

O ministro André Mendonça rejeitou um pedido da Polícia Fedearl para impedir que uma mulher que estava com Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, o Sicário, quando ele foi preso em março, viajasse a Dubai, nos Emirados Árabes Unidos.

Dias após a prisão e a morte de Sicário, Nathana Lopes Figueiredo ligou para um delegado da PF e disse que estava “muito abalada” e perguntou se haveria problema em realizar a viagem.



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