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Habitação em Aracaju: Sheila Trope detalha metas para reduzir déficit e prioriza regularização fundiária

Em entrevista exclusiva ao podcast “Falando Francamente”, do Sistema Gazeta de Comunicação, a diretora de habitação da Emurbe, a arquiteta Sheila Trope, apresentou um panorama detalhado sobre os projetos habitacionais em curso na capital sergipana. Com uma trajetória de 50 anos na área, a técnica destacou que a gestão da prefeita Emília Corrêa está focada em destravar contratos herdados e implementar o programa “Escritura na Mão”.

O desafio da tipologia: Por que casas de 35m² geram ocupações irregulares?

Um dos pontos altos da entrevista foi a análise crítica de Sheila sobre os conjuntos habitacionais entregues recentemente, como o Mangabeiras e o Lamarão. Segundo a diretora, a construção de unidades pequenas (35m²) em alvenaria estrutural que não permite reformas ignora a realidade de famílias numerosas que vêm de assentamentos orgânicos.

“O que ocorre é que a tipologia arquitetônica deu margem para ocupações irregulares. Entregar um apartamento de 35m² para uma família numerosa, sem possibilidade de ampliação, gera os famosos ‘puxadinhos’ em áreas comuns. Nosso objetivo agora é propor projetos que possibilitem ampliações planejadas e respeitem o perfil de cada comunidade”, explicou a arquiteta.

Foco na Regularização Fundiária (REURB)

Com um déficit habitacional estimado em cerca de 60 mil unidades, a diretora defendeu a regularização fundiária como uma das ferramentas mais eficazes e de menor custo para o município. Através do programa “Escritura na Mão”, a meta da gestão é atingir pelo menos 3 mil regularizações iniciais.

Sheila destacou que Aracaju foi uma das poucas capitais brasileiras a garantir recursos federais específicos para este fim. Áreas como o Pantanal (com entrega de títulos prevista para o dia 18 de março), Marivan, Lamarão Baixada e a histórica Coroa do Meio estão no topo das prioridades.

Obras Estratégicas e Combate aos Alagamentos

A diretora também detalhou o andamento de obras importantes financiadas pelo governo federal:

  • Nova Olaria: Construção de 198 casas e obras de drenagem.

  • Prainha e Fibra (Bairro Industrial): Retirada de famílias que vivem em palafitas para a construção de 78 novas unidades.

  • Recanto da Paz (Aeroporto): Projeto de infraestrutura e moradia para a antiga área das Malvinas.

Questionada sobre o problema crônico de alagamentos em áreas como o Jabotiana e a Zona de Expansão, Sheila Trope foi enfática: o desafio em Aracaju é o custo da drenagem. “Construir sobre o mangue exige aterros e estações de bombeamento caríssimas. Nos novos projetos, estamos prevendo elevar o nível das casas em pelo menos 20 centímetros para minimizar os impactos das marés e chuvas fortes”, afirmou.


Serviço: A Diretoria de Habitação da Emurbe funciona na Avenida Augusto Franco, 3340, e mantém canais abertos para que a população possa tirar dúvidas sobre cadastros sociais e processos de regularização de terras.