O presidente Lula e o PT sempre tiveram a palavra “neoliberalismo” na ponta da língua quando precisavam de um bode expiatório para um problema qualquer. O recurso se desgastou, mas não foi abandonado. Em discurso realizado no sábado, 18, em Barcelona, na Espanha, Lula fez uma espécie de autocrítica da esquerda global, uma tentativa de encontrar explicações para a ascensão da direita antidemocrática em diversos países do mundo, inclusive o Brasil. E a explicação que Lula encontrou é que a esquerda se rendeu ao neoliberalismo. Pois é.
Segundo o presidente, “o progressismo não conseguiu superar o pensamento econômico dominante” e seus representantes se tornaram “gerentes das mazelas do neoliberalismo”. “Governos de esquerda”, disse Lula, “ganham as eleições com discurso de esquerda e praticam a austeridade”. E, de acordo com ele, “abrem mão de políticas públicas em nome da governabilidade”.
São afirmações curiosas quando se relembra a campanha presidencial de 2022, que resultou na vitória de Lula para um terceiro mandato. O petista não foi eleito por seu “discurso de esquerda” ou por apresentar um sólido programa de governo progressista, mas por ter sido o candidato mais apto a capitalizar a rejeição ao seu oponente, o então presidente Jair Bolsonaro. E mais: na apertada disputa de segundo turno, Lula contou com o que chamava de “frente ampla” com forças de centro. Seu vice, Geraldo Alckmin, é um ex-tucano e ex-adversário de urna.
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