Entenda as tarifas de Trump para os produtos brasileiros
Neste Guia do Adulto Premium, você entende a cronologia de tentativas do presidente norte-americano de tarifar os produtos brasileiros. Crédito: Lucas Ghitelar/Larissa Burchard/Estadão
Nisso o senador Flávio Bolsonaro até que tinha razão: a imposição de um tarifaço dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros pode ajudar o presidente Lula em sua empreitada para se reeleger. Mas o pré-candidato à presidência pelo PL talvez tenha sido otimista demais na segunda parte do argumento que ele usou para, supostamente, tentar demover o governo americano de uma nova sobretaxa (confirmada na semana passada). Muito provavelmente, as coisas não seriam tão diferentes caso ele, Flávio, fosse o ocupante do Palácio do Planalto. O Brasil é uma pista de testes para a nova ordem comercial que o presidente Donald Trump está criando na base do porrete – sem cenouras como recompensa para quem aceitar ceder.
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Reino Unido, Japão, Indonésia e Filipinas, entre muitos outros países, além da União Europeia, fizeram acordos com os Estados Unidos para evitar taxas mais altas depois da primeira rodada protecionista de Trump, no ano passado. Todos saíram perdendo. Lula não tem nenhum incentivo para fazer o mesmo em ano eleitoral. Ao contrário, ele espera faturar com o embate — e é provável que consiga, como reclamou Flávio. Nada como uma ameaça externa para mostrar força dentro de casa. Que o diga Jair Bolsonaro, que explorou diversos inimigos externos durante seu governo, da Venezuela à França, da China ao delirante fantasma do “marxismo cultural” internacional.

Presidente Lula ao lado de Donald Trump durante visita à Casa Branca Foto: Ricardo Stuckert/PR
O ganho eleitoral do embate com Trump tem tudo para superar um eventual impacto do prejuízo econômico das tarifas na popularidade de Lula. Para os exportadores diretamente afetados, é péssimo, mas para o governo, no curto prazo que termina no segundo turno das eleições, logo ali em outubro, é perfeitamente suportável. O risco é cair na empolgação e passar do ponto com retaliações via Lei da Reciprocidade.
Se Lula se eleger, terá de conviver por mais dois anos com Trump, e nesse período talvez até resolva negociar com ele como fizeram europeus e indonésios, ou seja, fazendo concessões antes inimagináveis. Depois, tudo pode acontecer, inclusive alternância de poder nos Estados Unidos, ainda que o projeto MAGA seja ficar para sempre. Lula pode ter a sorte, na segunda metade de um eventual quarto mandato, de precisar lidar com um presidente americano mais afeito ao jogo diplomático de antes.
Por ora, a estratégia com melhor custo-benefício político para Lula é negociar, sim, com Washington, mas sem abrir mão de muita coisa. Vem daí a irritação de Marco Rubio, secretário de Estado, salpicada de antipatia ideológica, ao dizer que “Lula e seu governo não negociaram com os Estados Unidos de boa-fé”. Faz parte dos testes.
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