por Marcos Gentil
Ao olhar pela janela da varanda os primeiros raios solares, que imprimem ao céu um tom alaranjado, a reproduzir o Criador em sua ação inicial de iluminação, apesar das diferenças ideológicas e dos status atribuídos de cada ser humano, chego a uma verdade inarredável: os sentidos humanos foram concebidos para admirar a “boa, perfeita e agradável vontade” do Senhor (Romanos 12. 2).
A cada manhã, não importa onde estamos, na Sibéria ou em Cartagena, a escuridão da noite, a representar a nossa degradante condição humana, distante do caminho divino, cessa ao nos voltarmos para a sua misericórdia, o seu amor, que aquece nosso corpo, alma e espírito, e nos relembra que a despeito de havermos escolhido “o lado negro da força”, por repetidas vezes, o seu perdão invade o nosso ser, já nas primeiras horas da manhã.
Assim, o condenado à prisão perpétua, ou a mais pura e delicada flor do jardim, restam contemplados pelo Criador em seu caráter misericordioso e amoroso. A cada dia, a sua inafastável luz, reconduz-nos ao propósito reservado para todos.
Como traço amoroso de seu caráter, Deus nos concede o livre-arbítrio para pecar, e a nossa máxima condenação, ao cedermos à concupiscência dos olhos, que nos leva aos prazeres da carne, sempre agradáveis e fugazes prazeres momentâneos, e exatamente nesta condição, após a queda de Adão e Eva, encontramo-nos desde então, caso não confessemos nossas faltas, e modifiquemos nossa conduta, entregues “às nossas paixões e desejos” (Romanos 1. 18-31; Provérbios 28. 13).
Tal manifestação divina, igualmente bela, ocorre ao nos encontrarmos em uma praia ensolarada, ou em uma caverna extremamente profunda, e de inopino, restamos invadidos por uma brisa refrescante, a nos lembrar que não podemos nos esconder do Criador, fato que nos brinda com toda a sua generosidade (Salmos 138. 8-10; João 6. 68).
Também a chuva, em terrenos áridos e ressequidos, onde inexiste vestígio de folha ou fruto, provoca um renascer de tudo que tem vida, a nos confirmar a semente de seu caráter transformador de trevas em luz, de pecado em bem aventurança, de maldição em bênção, de alma inconsolável em fé inabalável (Salmos 42. 11; Ezequiel 37. 1-14).
Portanto, qual deve ser a nossa conduta, diante de tanta beleza, amor, misericórdia, manifestações divinas tão incontestáveis? Não será, tão somente, aceitar o caminho da “verdade e da vida em abundância” (João 14. 6); a graça imerecida (Efésios 2. 4-9), que nos conduz à Eternidade em sua presença (Apocalipse 21. 1-7)?