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Salário fixo, quase R$ 200 milhões em investimentos e rebaixamento: CBF apresenta projeto de profissionalização da arbitragem


Com muitas mudanças de conceito e rotina, a CBF (Confederação Brasileira de Futebol) apresentou nesta terça-feira (27) o projeto de profissionalização da arbitragem no futebol brasileiro, exclusivo para a Série A do Brasileirão. Pela primeira vez na história, 72 árbitros e assistentes terão contrato de prioridade com a entidade, e vão compor o que a própria Confederação chamou de “elite do apito”. Com melhor remuneração e, consequentemente, maior dedicação (sem exclusividade obrigatória), 59 homens e 13 mulheres passam a ser personagens de um marco no Brasil.

Em uma apresentação com as presenças de dirigentes de clubes e federações, o Grupo de Trabalho, encabeçado por Netto Góes (presidente), Helder Melillo (diretor-executivo da CBF), Davi Feques (gerente geral da CBF Academy) e Rodrigo Cintra (presidente da Comissão de Arbitragem) detalhou as inúmeras mudanças.

O PRO (programa de profissionalização da arbitragem brasileira) foi desenhado com a participação de representantes de 38 clubes das Séries A e B, além de consultores especializados. Ele tem quatro pilares: Estrutura Geral, Excelência com a Saúde, Capacitação Técnica, e Tecnologia e Inovação. Iniciado no dia 10 de novembro, o projeto é inspirado no modelo praticado em algumas principais ligas europeias (Premier League, LALIGA e Bundesliga).

Com base nas performances em 2024 e 2025 e no uso do distintivo da Fifa, a CBF selecionou 20 árbitros, 40 assistentes e 12 árbitros de vídeo (VAR) para firmarem contrato no modelo pessoa jurídica com a entidade.

A partir de agora, esse grupo passará a ter um salário fixo, variáveis jogo a jogo, além de uma bonificação por desempenho. Para viabilizar essa equação, a CBF calculou um valor médio de acordo com o modelo vigente e aplicou um reajuste de acordo com o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), diminuindo o variável e apostando em um fixo maior, para dar segurança aos árbitros.

Dentre as novidades apresentadas, uma chama muito a atenção: a criação de um ranking de desempenho ao longo da temporada, que ao fim do ano fará com que pelo menos dois árbitros não tenham seus contratos renovados – o que abre a possibilidade para outros árbitros serem chamados pra compor a elite. A CBF entende e desta forma estará iniciando um processo natural de renovação. As notas serão uma composição de variáveis, como controle de jogo, aplicação das regras, desempenho físico e comunicação. E o ranking da temporada não será divulgado publicamente.

Nas próximas duas temporadas, a entidade vai gastar R$ 195 milhões com a arbitragem, sendo que R$ 44 milhões deles somente para o pagamento de salários fixos e variáveis. Isso significa um aumento de R$ 50 milhões em comparação ao biênio 2024/25. Por se tratar de um assunto confidencial, a CBF não revelou o salário médio de cada árbitro neste novo contexto. No entanto, é possível estimar que um Fifa, por exemplo, possa acumular algo em torno de R$ 50 mil por mês.

Mais profissionalismo, mais cobrança

A partir de agora, os selecionados terão um cronograma de atividades diárias, como se fossem jogadores de futebol. A rotina inclui condicionamento físico e técnico, aulas de aperfeiçoamento e reuniões pra aprimorar a padronização.

Neste mesmo evento, a CBF informou sobre impedimento semiautomático, que não será aplicado nas primeiras rodadas por uma questão de segurança do processo.

Os equipamentos já estão sendo instalados em 27 estádios para os quais há a possibilidade de marcação de partidas da primeira divisão.

Cabe ressaltar que o regulamento geral de competições permite a venda de mando de campo para estádios que não tenham a tecnologia, mas a CBF tem poder de veto.

Os próximos passos do PRO são a governança, a transparência e a comunicação. Esse assunto serão tratados em uma reunião prevista para fevereiro, já que a intenção é que os contratos com os árbitros sejam assinados até o dia 26 de fevereiro e que a partir de 1º de março o modelo já esteja sendo executado.

Confira abaixo outras mudanças relevantes:

  • Nova central do VAR, com uma estrutura mais confortável e uma sala mais segura.

  • Encontros mensais e monitoramento tecnológico por meio do “kit da arbitragem”, que terá um smartwatch.

  • Haverá uma avaliação a cada trimestre. Se um oficial for reprovado, ficará sem trabalhar por três meses, e receberá apenas o valor fixo.

  • Uma rescisão contratual unilateral por parte da CBF pode acontecer em caso de recorrência de falhas.

  • Alguns jogos da Série A do Brasileirão poderão ter árbitros que não pertençam ao quadro de elite, especialmente partidas de menos apelo técnico.

  • A nova “geladeira” inclui um protocolo de afastamento por 28 dias em casos de erro grave, e o árbitro retorna em uma divisão anterior.

  • Os jogos da Série A terão, até o fim desta temporada, todos os recursos tecnológicos aprovados pela FIFA: VAR, impedimento semiautomático, refcam e tecnologia da linha do gol



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