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Trump repete Mussolini, intervém na FIFA e ataca juiz brasileiro em meio à tensão Brasil-EUA


A interferência de Donald Trump na enfraquecida FIFA, para anular a expulsão de um jogador norte-americano e jogar suspeitas sobre um juiz brasileiro, é um escândalo internacional, que confirma a velha prepotência dos EUA, potencializada por Trump, e ocorre num momento de tensões e decisões nevrálgicas entre Brasil e EUA.

Trump admite que pediu à Fifa revisar suspensão de artilheiro dos EUA na Copa do Mundo

Presidente americano chama árbitro brasileiro Raphael Claus de ‘suspeito’ e afirmar que agiu para reverter decisão. Crédito: @Osint613| X

A ação imperial de Trump e a suspeita sobre o árbitro paulista Raphael Claus jogam uma pitada de pimenta no que já está ardido. Nesta segunda-feira, começou em Washington a audiência em que representantes brasileiros defendem o Pix e apresentam argumentos e dados concretos contra novas sanções comerciais.

O presidente dos EUA Donald Trump em encontro com o dirigente da FIFA Gianni Infantino Foto: Jacquelyn Martin / AP

No mesmo dia, veio a público, em Brasília, um documento oficial do chanceler Mauro Vieira admitindo, duas vezes, o risco de Trump usar força militar em território brasileiro, no rastro da classificação de PCC e CV como terroristas.

Ao telefonar para o presidente da Fifa, Gianni Infantino, Trump não sugeriu – verbo inexistente no seu vocabulário –, mas atacou Claus exigiu a anulação do cartão vermelho para Folarin Balogun e a participação dele no próximo jogo dos EUA, contra a Bélgica.

Sem entender patavina de futebol, Trump justificou, ao admitir o telefonema para a Fifa: “Eu vi o lance, e sou uma pessoa que ama esportes… Aquilo não foi uma falta. Nem mesmo uma infração. Esse árbitro é um pouco suspeito…”

Ou seja, o presidente dos EUA não se satisfaz em ver o jogo, achar isso ou aquilo e xingar o árbitro, como qualquer torcedor ao redor do mundo, mas usa o seu cargo e o fato de ser anfitrião para algo inédito: decretar que não aceita a expulsão e que Balogun vai jogar, sim.

Foi na base do “eu quero, eu mando” e sem considerar uma hipótese: e se os EUA derrotassem a Bélgica com gol de Balogun? Trump poderia até comemorar, mas o mundo aceitaria calado? E se o seu país levar a taça?

O episódio, que assombra não apenas a Bélgica, a Europa e o Brasil, mas toda a comunidade esportiva e democrática internacional, remete à Copa de 1934 na Itália, quando o ditador Mussolini escolheu jogadores e influenciou resultados para, não só dar a vitória ao seu país, como usar essa vitória para uma fenomenal propaganda fascista.

Afora a vassalagem vergonhosa de Infantino e da própria Fifa, a ação de Trump confirma o que o mundo todo sabe – e teme. Ele não tem escrúpulos, limites e se sente imperador do mundo. Logo, é capaz de tudo. Inclusive usar militares contra o Brasil, como na Venezuela?

O governo e o setor privado brasileiros, portanto, têm que negociar justamente com um presidente que botou a Fifa no bolso, explodiu embarcações e invadiu a Venezuela e aliou-se a Netanyahu para atacar o Irã – que não era uma ameaça aos EUA.

Além disso, Trump também impôs um tarifaço ao mundo e particularmente ao Brasil e volta agora à carga, por influência direta de Flávio Bolsonaro. Ao participar da audiência pública de Washington nesta terça-feira, Flávio vai tentar consertar seu imenso erro.

Ele foi se meter onde e com quem não deveria, e agora vai tentar desfazer o mal que tentou fazer ao Brasil e acabou fazendo à sua própria candidatura. Imaginem agora, com a intervenção na Fifa e o ataque ao juiz brasileiro…



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