por Marcos Gentil
Era uma vez uma nação assolada por discussões intermináveis e polarizadas a respeito de tudo, porquanto inarredável o fato de que nascemos em determinada família, em um específico momento histórico, e durante a existência tomamos contato com experiências, participamos de vivências, e exatamente o resultado de todo esse processo que denominamos ideologia, e a conjuntura política da nossa “… ó pátria amada, idolatrada, salve! Salve! …” (Hino Nacional Brasileiro), faz-me relembrar o mais arguto diagnóstico vaticinado pelo poeta:
“Meu partido
É um coração partido
E as ilusões
Estão todas perdidas
Os meus sonhos
Foram todos vendidos
Tão barato que eu nem acredito
Ah, eu nem acredito.”
Cazuza, em sua pérola: Ideologia
Entre aquele que crê no dever do Estado de intervir na Economia para reduzir as desigualdades sociais, e o outro, ao reverso, acredita no Estado mínimo, porquanto o mercado encarrega-se de tornar possível a aquisição dos bens e serviços, por intermédio da livre concorrência, sentencia o poeta: “ideologia, eu quero uma pra viver.”
E é nessa angústia que assola o panorama político eleitoral brasileiro, que se aproxima o 4 de outubro, posto que – “quando entrar setembro, e a boa nova andar nos campos, quero ver brotar o perdão, onde a gente plantou, juntos outra vez…” (Beto Guedes) – o primeiro domingo de outubro marcará o momento em que o sufrágio na urna eletrônica será exercido e conhecido.
Por entre candidatos defensores do gigantismo estatal, deveras custoso para o contribuinte, vez que conforme a Agência Senado: “Os 30 partidos políticos registrados no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) vão receber juntos quase R$ 5 bilhões do Fundo Eleitoral para as eleições de 2026.”, e partidários do Estado cada vez menor, diante da necessidade imperiosa de sua sustentabilidade financeira, mais das vezes desrespeitosos, a vociferar a sua contundente forma de perceber a realidade, brio que muitas vezes falta a equipes de futebol, surge, no fim do túnel, alguém que começa a sua campanha declarando: “enquanto os outros gritam, eu quero escutar você”, e já de largada, demarca o território da saúde mental eleitoral, ao devolver para o protagonista – o povo – a direção e o sentido do sistema.
Nunca é tarde para apontar, ao contrário dos já eleitos, que exercem mandatos sufragados por pleitos anteriores, do alto de sua herança pretérita, que “o jogo só acaba quando termina”, e a Constituição da República Federativa do Brasil reluz como o sol matutino:
“Art. 28. A eleição do Governador e do Vice-Governador de Estado, para mandato de 4 (quatro) anos, realizar-se-á no primeiro domingo de outubro, em primeiro turno, e no último domingo de outubro, em segundo turno, se houver, do ano anterior ao do término do mandato de seus antecessores, e a posse ocorrerá em 6 de janeiro do ano subsequente, observado, quanto ao mais, o disposto no art. 77 desta Constituição.
Art. 77. A eleição do Presidente e do Vice-Presidente da República realizar-se-á, simultaneamente, no primeiro domingo de outubro, em primeiro turno, e no último domingo de outubro, em segundo turno, se houver, do ano anterior ao do término do mandato presidencial vigente. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 16, de 1997)
- 1º A eleição do Presidente da República importará a do Vice-Presidente com ele registrado.
- 2º Será considerado eleito Presidente o candidato que, registrado por partido político, obtiver a maioria absoluta de votos, não computados os em branco e os nulos.
- 3º Se nenhum candidato alcançar maioria absoluta na primeira votação, far-se-á nova eleição em até vinte dias após a proclamação do resultado, concorrendo os dois candidatos mais votados e considerando-se eleito aquele que obtiver a maioria dos votos válidos.” (grifos nossos)
Portanto, um dos autores mais lidos do mundo, médico, psiquiatra, pesquisador e professor, que declarou um patrimônio de mais de 242 milhões ao Tribunal Superior Eleitoral, ainda não está fora do páreo, como os apressados e interessados na continuidade do processo deletério nacional propalam. Antes, vale a indagação, qual a sua motivação para empreender tamanha disposição em disputar tão concorrido pleito?