
por Fausto Leite
O Pato saiu de Itabaiana e resolveu voar. Valmir de Francisquinho tirou seus 30 dias e fez o que todo político raiz faz quando quer sentir o cheiro da eleição, caiu na estrada. E não foi passeio não, foi teste de popularidade ao vivo, sem filtro, sem marqueteiro cochichando no ouvido. Chegava em bar, era foto. Entrava em hospital, era abraço. Parava na esquina, era selfie. O homem virou praticamente patrimônio afetivo itinerante de Sergipe. E quanto mais andava, mais parecia ouvir a mesma coisa: “Você é o meu governador!”.
E não adiantou a turma do ar-condicionado tentar vender a tese de que Valmir estaria em baixa, porque a rua, essa entidade cruel e sincera, não costuma mentir. O que se viu foi o contrário, foi um prefeito licenciado sendo tratado como candidato em todos os cantos. E isso mexe com qualquer eleição. Mexe com pesquisa, mexe com bastidor, mexe até com o humor de quem acorda quatro da manhã para rezar, joelho no milho, pedindo que o Pato não mergulhe de vez na disputa.
No meio disso tudo, entra o capítulo Priscila Felizola, que resolveu dar aquela pausa estratégica no Sebrae e, como num roteiro bem ensaiado, deixou no ar a pergunta que vale milhões, vem como vice ou vem como peça-chave de um projeto maior. Nos corredores, já tinha gente chamando de vice antes mesmo do anúncio, o que no Brasil, em Sergipe e em Itabaiana costuma ser metade do caminho andado. E enquanto isso, o silêncio de Valmir só aumentava o barulho. Porque na política, quando o protagonista cala, o bastidor grita.
E o governo, que poderia ignorar e tocar a vida, resolveu fazer exatamente o contrário. Criou um mutirão para responder, atacar, desconstruir, interpretar e até reinterpretar Valmir. Resultado prático, colocou o homem no centro do palco. É o famoso erro estratégico, tentar diminuir e acabar amplificando. Porque cada crítica virava mais visibilidade, cada ataque virava mais curiosidade, e cada tentativa de desgaste virava combustível para o personagem crescer.
No Iate Clube, a cena foi quase simbólica. André Moura falou, aplauso. Fábio falou, silêncio educado. Não foi vaia, que também seria exagero, mas foi aquele silêncio que diz muito mais do que qualquer discurso. E nos bastidores, entre prefeitos, ex-prefeitos e lideranças, a conversa é uma só, se Valmir entrar, muda o jogo. Alguns ainda tentam dourar a pílula, dizendo que é uma disputa dura. Outros já entregam o pensamento sem maquiagem, dizendo que a coisa complica demais para o atual governo.
E aí entra Ricardo Marques, lançado, estruturado, com apoio, com partido, com discurso. Mas, até agora, não fez nem cócegas no Pato. E não é demérito de Ricardo, é mérito do momento político. Porque quando um nome entra em ebulição popular, os outros viram figurantes até que provem o contrário. E tem mais, dizem nos bastidores que o próprio governo começa a olhar Ricardo não como aliado indireto, mas como alguém que pode morder votos do mesmo campo. A matemática eleitoral não perdoa ninguém.
Enquanto isso, a imprensa alinhada tenta criar um clima de desistência, de recuo, de dúvida. Só esqueceram que 2026 não é 2006. Hoje a informação corre solta, o povo compara, analisa, ri, compartilha e decide. Não existe mais dono da narrativa. Quem tenta manipular demais acaba desmascarado em tempo real. E isso muda completamente o jogo, porque o eleitor deixou de ser espectador e virou árbitro.
No fim, Sergipe vive aquele momento delicioso de pré eleição, onde tudo é expectativa, tudo é movimento e tudo pode mudar em 24 horas. Mas uma coisa já não é mais dúvida, é roteiro anunciado, quando Valmir renunciar, porque ele vai renunciar, preparem o coração, o discurso e até a desculpa pronta, porque vem tempestade política daquelas que muda o humor de gabinete e o sono de muita gente. E como todo bom sergipano já entendeu, quando o Pato resolve voar, não adianta fechar a lagoa, não adianta fechar o Estado, não adianta fingir que não viu. O céu vira o limite e o barulho, ah, o barulho, esse ninguém segura.